Após atuação da Defensoria Pública, bebê cardiopata consegue transferência para cirurgia de alta complexidade

Após atuação da Defensoria Pública, bebê cardiopata consegue transferência para cirurgia de alta complexidade

Benício foi transferido na última sexta-feira (12) e deve passar por cirurgia e tratamento em São Paulo.

Após meses de angústia e mobilização em busca de tratamento especializado, a família do pequeno Benício Davi Oliveira da Silva, de apenas quatro meses, recebeu a notícia que tanto aguardava: a transferência para um hospital de referência em São Paulo, realizada na última sexta-feira (12), onde o bebê deverá passar por cirurgia cardíaca de alta complexidade e acompanhamento especializado.

Desde o nascimento, Benício enfrenta uma grave cardiopatia congênita. Diagnosticado com hipoplasia da valva aórtica, hipoplasia segmentar do arco transverso e do istmo aórtico, além de comunicação interatrial (CIA), ele necessita de uma cirurgia de alta complexidade que não é realizada em Alagoas.

O caso passou a ser acompanhado, em março deste ano, pelas defensoras públicas Manuela Carvalho, coordenadora do Núcleo da Fazenda Pública, e Taiana Grave, coordenadora do Núcleo da Criança e do Adolescente. Diante da urgência do quadro clínico, a Defensoria Pública de Alagoas ingressou com ação judicial para garantir a transferência da criança por meio do Tratamento Fora de Domicílio (TFD).

Ainda naquele mês, a Justiça determinou que o Município de Maceió e o Estado de Alagoas providenciassem e custeassem a transferência no prazo de 24 horas. No entanto, a decisão não foi cumprida, o que levou a Defensoria a adotar novas medidas judiciais, incluindo o pedido de bloqueio das contas do Estado.

O desfecho veio no fim de maio, quando a Justiça autorizou a retenção dos recursos necessários para viabilizar a transferência de Benício para um hospital especializado em São José do Rio Preto (SP). A decisão também assegurou o custeio integral do tratamento, incluindo a cirurgia cardíaca, despesas hospitalares e até 150 dias de internação em enfermaria ou Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Emocionada, a mãe da criança, Daiane Maria da Silva, relembrou os desafios enfrentados ao longo dos últimos meses e celebrou a conquista.

“Foram muitas dificuldades, negativas e uma longa busca por um hospital que aceitasse o caso dele. Hoje, graças ao trabalho da Defensoria Pública, às decisões da Justiça e ao apoio de tantas pessoas, conseguimos a transferência. Apesar de todo o estresse e da negligência que enfrentamos, estou muito grata e aliviada. Como mãe, fiz tudo o que estava ao meu alcance e faria tudo novamente. O que meu filho precisa é de uma chance. Se ele tem uma chance de sobreviver por meio dessa cirurgia, então valeu cada esforço para que ele pudesse ter acesso ao tratamento e à oportunidade de viver sua vida”, afirmou.

Para a defensora pública Manuela Carvalho, o caso demonstra a importância da atuação firme da instituição na garantia do direito à saúde, especialmente quando se trata de crianças em situação de vulnerabilidade.

“Não medimos esforços para assegurar que Benício tivesse acesso ao tratamento de que precisa para sobreviver, especialmente diante da urgência e da gravidade do quadro clínico. A Constituição e o Estatuto da Criança e do Adolescente estabelecem que a saúde e a vida de crianças devem ser tratadas com absoluta prioridade. Foi com esse compromisso que acompanhamos cada etapa desse processo até alcançar essa importante conquista. Seguiremos acompanhando a saúde do pequeno e atuando, se necessário, para assegurar seu direito à saúde”, destacou.