Defensoria Pública aciona Comissão Interamericana de Direitos Humanos em favor de jornalista idosa

Defensoria Pública aciona Comissão Interamericana de Direitos Humanos em favor de jornalista idosa

 Cidadã de 76 anos está em prisão domiciliar e teve seus canais de comunicação bloqueados por tempo indeterminado

 

A Defensoria Pública de Alagoas (DPAL) apresentou, na última sexta-feira (4), uma petição de medida cautelar à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH). A iniciativa busca reverter o que a instituição considera graves violações de direitos fundamentais cometidas contra uma jornalista de 76 anos, que está em prisão domiciliar integral e teve seus canais de comunicação bloqueados por tempo indeterminado.

O caso chegou à esfera internacional depois que o Núcleo dos Tribunais Superiores da DPAL esgotou todos os recursos e mecanismos de defesa cabíveis na Justiça brasileira, incluindo o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e o Supremo Tribunal Federal (STF).

Para a Defensoria Pública, a situação viola tratados internacionais ratificados pelo Brasil. Segundo a instituição, a prisão de uma profissional de imprensa idosa por crimes relacionados à sua atuação e a restrição de seus canais de comunicação, que impede o exercício de sua profissão, configuram censura prévia, uso desproporcional do direito penal e tratamento degradante contra a pessoa idosa.

Na petição, a DPAL também apresenta novos fatos à CIDH. Entre eles, está o reconhecimento, na esfera administrativa do próprio Poder Judiciário, de desvios funcionais que haviam sido denunciados pela jornalista durante seu trabalho de investigação. A apuração resultou na punição da autoridade envolvida. Apesar disso, as instâncias nacionais mantiveram a condenação criminal e as severas restrições à liberdade da profissional de imprensa.

A Defensoria Pública afirma ainda que a manutenção dessas medidas pode causar danos irreparáveis à saúde física e mental da jornalista, além de produzir um forte efeito de intimidação (chilling effect) sobre o jornalismo investigativo e a liberdade de expressão.

Diante desse cenário, o Núcleo dos Tribunais Superiores da DPAL pediu à Comissão Interamericana prioridade no julgamento do caso. A medida cautelar também solicita que o Estado brasileiro adote as providências necessárias para restabelecer a liberdade de locomoção e de expressão da jornalista.