Defensoria Pública pede condenação do Ipaseal Saúde por litigância de má-fé após suspensão de tratamento oncológico

Plano afirmou na Justiça que cumpre decisão e mantém tratamento oncológico, mas Defensoria constatou suspensão do serviço desde junho de 2024

 

A Defensoria Pública do Estado de Alagoas (DPE/AL), por meio do Núcleo de Proteção Coletiva, solicitou à Justiça, nesta terça-feira (15), a condenação do Ipaseal Saúde por litigância de má-fé e a aplicação de multa pelo descumprimento reiterado de ordem judicial que determina o fornecimento de tratamento oncológico aos usuários do plano. O pedido foi feito em uma ação movida em 2019.

A solicitação foi apresentada após a Defensoria constatar que o Ipaseal Saúde informou ao Judiciário estar cumprindo regularmente a obrigação de garantir o atendimento oncológico aos beneficiários, informação desmentida pela única clínica credenciada para o serviço em Maceió.

Em resposta a ofício enviado pela DPE/AL, a Oncoclínica Serviços Oncológicos Ltda., única clínica credenciada ao plano para tratamento oncológico em Maceió, informou que os atendimentos aos usuários do Ipaseal Saúde estão totalmente suspensos desde junho de 2024, em razão da falta de regularização contratual e financeira por parte do convênio. Atualmente, apenas dois pacientes recebem atendimento mediante decisão judicial com pagamento antecipado.

Conforme o defensor público Marcelo Barbosa Arantes, que assina a petição, o plano apresentou à Justiça documentos que não retratam o cenário atual, omitindo a suspensão dos atendimentos. Além disso, a documentação de faturamentos apresentada pelo Ipaseal concentra registros entre janeiro e julho de 2024, com poucos lançamentos posteriores, o que, segundo o defensor, confirma a interrupção do serviço.

“É um fato gravíssimo, que além de impactar diretamente o mérito da ação, pode levar à condenação por litigância de má-fé, porque ficou evidente que houve alteração da verdade dos fatos. É uma tentativa clara e lamentável de enganar o Judiciário, às custas da saúde e, eventualmente, da vida de várias pessoas que dependem do Ipaseal para tratar uma das doenças mais temidas: o câncer”, afirmou o defensor.

Além da condenação por litigância de má-fé, a Defensoria solicitou ao Juízo da 16ª Vara Cível de Maceió o julgamento antecipado do processo, por entender que os autos já estão suficientemente instruídos, bem como a aplicação de multa ao secretário de estado da saúde e ao diretor do Ipaseal pelo reiterado descumprimento da decisão judicial.

AVISO DE LICITAÇÃO - Pregões Eletrônicos n° 900025/2025 e 900026/2025

DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DE ALAGOAS

AVISO DE LICITAÇÃO

 

A DPE/AL (UASG: 457697) torna pública a realização das seguintes licitações:

Pregão Eletrônico n° 900025/2025 - Objeto: Registro de preços para eventual e futura aquisição de material hidráulico - Data e Horário da sessão pública: 22 de agosto 2025 às 08:00 horas.

Pregão Eletrônico n° 900026/2025 - Objeto: Registro de preços para eventual e futura aquisição de ferramentas e acessórios - Data e Horário da sessão pública: 29 de agosto 2025 às 08:00 horas.

O edital pode ser retirado gratuitamente no sítio  https://www.gov.br/compras/pt-br, maiores informações através do e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Maceió, 14 de julho de 2025.

Meliana Moreira Martin

Pregoeira

Defensoria Pública leva atendimento jurídico gratuito a Joaquim Gomes e Rio Largo nesta semana

 

A Defensoria Pública do Estado de Alagoas (DPE/AL) promove, nesta semana, mais uma etapa do programa A Defensoria Vai Até Você, levando atendimento jurídico gratuito aos moradores de Joaquim Gomes e Rio Largo. 

 

A primeira ação acontece nesta terça-feira (15), em Joaquim Gomes, próximo à Câmara Municipal de Vereadores, localizada na Rua Dr. Nelito, nº 66, no Centro da cidade. Já na sexta-feira (18), a iniciativa chega ao município de Rio Largo, com atendimento na Escola Manoel Gonçalves da Silva, situada no Conjunto Antônio Lins, depois da Cimapra. Nesta segunda ação, a Defensoria contará com a parceria do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL), com a realização de audiências durante o evento. Os eventos serão realizados das 8h às 14h. 

 

Durante as ações, a população poderá contar com orientações jurídicas, triagem para ações cíveis e de família (como divórcio, guarda, pensão alimentícia, união estável e curatela), consultas sobre o andamento de processos e emissão de ofícios para segunda via de certidões de nascimento, casamento ou óbito.

 

Para solicitar a abertura de uma ação judicial durante o evento, é necessário apresentar os documentos originais e cópias do RG, CPF, comprovante de residência (conta de água ou luz), certidão de nascimento ou casamento (nos casos de pensão ou divórcio) e, quando necessário, o nome e o endereço de testemunhas.

 

Mais informações podem ser obtidas gratuitamente pelo Disque Defensoria 129, de segunda a sexta-feira, das 8h às 14h.

Defensoria Pública ajuíza ação contra a Braskem por desvalorização de 22 mil imóveis no entorno da área de afundamento

Ação pede reparação por danos materiais e morais a moradores da borda da área afetada

 

As marcas deixadas pelo desastre ambiental provocado pela mineração da Braskem seguem presentes na vida de milhares de maceioenses. Moradores de bairros vizinhos à área realocada enfrentam a desvalorização de imóveis, rachaduras, insegurança permanente e um cotidiano marcado pelo medo e pela incerteza. A fim de assegurar a reparação desses prejuízos, a Defensoria Pública do Estado de Alagoas (DPE/AL) ajuizou, nesta quinta-feira (10), uma nova ação civil pública contra a mineradora.

A ação, assinada pelos defensores públicos Ricardo Melro, Daniel Alcoforado, Lucas Valença, Marcelo Arantes e Isaac Souto, requer que a Justiça reconheça que a desvalorização dos imóveis localizados no entorno das áreas de afundamento decorre diretamente da atividade da Braskem. Além disso, cobra que a empresa seja condenada a indenizar os moradores por danos materiais, com base na diferença entre o valor atual dos imóveis e o que eles valeriam caso o desastre não tivesse ocorrido, bem como por danos morais, em razão dos impactos psicológicos e sociais sofridos pelas famílias.

As áreas estão localizadas em bairros como Farol, Pinheiro, Bom Parto, Bebedouro, Gruta de Lourdes, Pitanguinha, Levada, entre outras. Segundo estimativa preliminar da Defensoria, mais de 22 mil imóveis foram atingidos pela desvalorização causada pela crise geológica provocada pela exploração da Braskem.

Na ACP, a Instituição apresenta provas técnicas e documentais, como laudos periciais, avaliações imobiliárias, registros fotográficos, pareceres do CRECI/AL, vídeos e depoimentos que confirmam desvalorização de até 60% e danos estruturais, como rachaduras, trincas e afundamentos.

A ação também destaca os impactos emocionais. Relatórios do UNOPS (braço da ONU) e do Centro de Formação em Psicologia Comunitária apontam adoecimento mental generalizado entre moradores da região limítrofe. Além disso, revela que a própria Braskem já reconheceu, ainda que indiretamente, os danos fora da área de criticidade, ao realizar manutenções e pagar indenizações a imóveis públicos, como o sistema ETA-Cardoso da CASAL, também afetado por rachaduras estruturais fora da zona de monitoramento.

Para o defensor público Ricardo Melro, a queda no valor dos imóveis não decorre de fatores econômicos normais, mas de uma anomalia provocada por um colapso ambiental.

“A desvalorização é um fato público e notório, que decorre, principalmente, da proximidade com as áreas evacuadas, mas também dos danos que continuam a surgir: trincas, rachaduras… É simples: onde todos querem sair, ninguém quer entrar. A desvalorização é pública e notória, reflexo direto do colapso urbano que transformou bairros inteiros em desertos cinzentos”, afirmou.

Após 24 anos de espera, júri absolve homem acusado de tentativa de homicídio

Um processo que atravessou mais de duas décadas finalmente chegou ao fim esta semana, em Maceió. Com atuação da Defensoria Pública do Estado de Alagoas (DPE/AL), um homem acusado de tentativa de homicídio foi absolvido pelo Tribunal do Júri, encerrando um capítulo doloroso de sua vida que começou em 2001.

 

O defensor público Thiago Garcia foi o responsável pela defesa e sustentou a ausência de provas, além de pedir ao júri a aplicação do princípio da clemência, que permite uma absolvição mesmo diante de dúvida razoável, em nome da justiça e da dignidade humana. “Foram 24 anos respondendo a um processo sem provas consistentes, com a espada da justiça no pescoço, convivendo com o peso de uma acusação grave. A própria tramitação já representou uma forma de punição. A absolvição, nesse contexto, foi a única decisão justa”, afirmou.

 

O caso teve origem em um desentendimento entre o réu e um conhecido, que teria evoluído para uma tentativa de incendiar uma residência. Em meio à confusão, uma mulher que estava no local acabou ferida, embora não estivesse diretamente envolvida na briga. Desde então, o processo acumulou paralisações e nunca contou com produção de novas provas.

 

Diante da fragilidade das acusações e da falta de elementos concretos para sustentar a denúncia, os jurados decidiram pela absolvição. Para a Defensoria Pública, o desfecho reforça a importância da atuação firme e vigilante em defesa dos direitos de quem mais precisa, sobretudo quando o tempo e a falta de provas transformam o próprio processo em um castigo.