Defensoria Pública aciona Verde Alagoas e exige transparência nas metas e indicadores de desempenho

Ação civil pública cobra divulgação dos mapas de esgotamento e de abastecimento de água, além dos relatórios de desempenho em 22 municípios da Região Norte de Alagoas

 

A Defensoria Pública do Estado de Alagoas ingressou, nesta quarta-feira (29), com uma ação civil pública contra a concessionária Verde Alagoas, responsável pelos serviços de saneamento básico na Região Norte e em municípios do entorno. A instituição cobra a divulgação dos mapas de esgotamento sanitário e da rede distribuidora de água, além dos relatórios e indicadores de desempenho previstos no contrato de concessão, que deveriam ser apresentados desde 2022.

O objetivo da ação é assegurar transparência e fiscalização pública sobre as metas assumidas pela empresa, que atua em 22 municípios do Bloco C da concessão: Anadia, Branquinha, Capela, Chã Preta, Colônia Leopoldina, Ibateguara, Jacuípe, Japaratinga, Joaquim Gomes, Jundiá, Mar Vermelho, Maragogi, Maribondo, Matriz de Camaragibe, Novo Lino, Passo de Camaragibe, Paulo Jacinto, Porto Calvo, Porto de Pedras, São Luís do Quitunde, São Miguel dos Milagres e Tanque d’Arca.

O Contrato de Concessão, assinado em março de 2022, estabelece que a empresa deve cumprir metas anuais e progressivas para alcançar até 2033 a universalização do saneamento: 99% da população com acesso à água potável e 90% à coleta e tratamento de esgoto, conforme o Marco Legal do Saneamento Básico (Lei Federal nº 14.026/2020). No terceiro ano de concessão, as metas são de 41,2% para o esgotamento sanitário e 93,4% para a distribuição de água.

A Defensoria pede ainda que a Verde Alagoas publique o Indicador Geral de Desempenho (IGD), que mede a qualidade global dos serviços prestados e influencia diretamente o cálculo das tarifas. Segundo os defensores públicos, a ausência dessas informações prejudica o controle social e impede que a população saiba se está pagando por um serviço realmente prestado.

A ação foi assinada pelos defensores públicos Adaunir Fiel, Amanda Mineiro, Carina de Oliveira Soares, Lívia Risso, Manoel Correia e Thiago Garcia,  juntamente com o coordenador do Núcleo de Proteção Coletiva, Othoniel Pinheiro Neto, e solicita multa diária de R$ 20 mil em caso de descumprimento.

A Defensoria destacou ainda que já propôs ação semelhante contra a BRK Ambiental, responsável pelos serviços do Bloco A da concessão, que abrange a Região Metropolitana de Maceió. Nesse caso, a Justiça já deferiu liminar favorável à transparência e à divulgação das metas de desempenho das empresas.

Com atuação da Defensoria, quilombolas de Arapiraca conquistam o direito à água

Decisão judicial obtida pela DPE/AL suspende tarifas e determina abastecimento regular para famílias da Comunidade Carrasco, após décadas de descaso.

 

A luta dos moradores da Comunidade Quilombola Carrasco, na zona rural de Arapiraca, por acesso à água potável ganhou um novo capítulo de esperança. Após ação da Defensoria Pública do Estado de Alagoas (DPE/AL), a Justiça determinou a suspensão das cobranças de tarifas de consumo e o abastecimento emergencial da região, beneficiando cerca de 350 famílias.

A decisão foi proferida nesta semana em resposta à Ação Civil Pública ajuizada pela defensora pública Brígida Barbosa, do Núcleo de Proteção Coletiva em Arapiraca, contra a Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal). A medida obriga a empresa a garantir o fornecimento de água potável por meio de caminhões-pipa ao menos três vezes por semana, sob pena de multa de R$ 5 mil por semana em caso de descumprimento.

Além disso, a Casal deverá apresentar, em até 20 dias, um plano de contingência com o cronograma detalhado das ações emergenciais para restabelecer o abastecimento contínuo e regular.

Segundo a defensora Brígida Barbosa, o problema se arrasta há décadas. “Eles se viravam como podiam, e ainda assim era comum pagarem por caminhões-pipa que só chegavam após 90 dias do pedido”, relatou.

Para ela, a decisão representa uma vitória da dignidade humana. “A água é um direito básico, e o que vimos foi uma comunidade inteira sendo penalizada por um serviço que nunca existiu. Essa decisão é um passo importante para garantir que essas famílias vivam com o mínimo de respeito e justiça”, destacou.

Aviso de Licitação - Pregão Eletrônico n° 90039/2025 - Registro de preços para eventual e futura aquisição de mobiliário

DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DE ALAGOAS

AVISO DE LICITAÇÃO

A DPE/AL (UASG: 457697) torna pública a realização da seguinte licitação:
Pregão Eletrônico n° 90039/2025 - Objeto: Registro de preços para eventual e futura aquisição de mobiliário - Data e Horário da sessão pública: 14 de novembro de 2025 às 08:00 horas.


O edital pode ser retirado gratuitamente no sítio https://www.gov.br/compras/pt-br, maiores informações através do e-mail
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Maceió, 24 de outubro de 2025.
Meliana Martin

Defensoria Pública promove seleção para estágio em Direito em Delmiro Gouveia

A Defensoria Pública do Estado de Alagoas (DPE-AL) lançou novo edital para a seleção para estágio em direito no município de Delmiro Gouveia. Os estudantes interessados podem se inscrever até o dia 29 de outubro, pela plataforma https://concursos.defensoria.al.def.br.

A seleção será realizada por meio de prova de conhecimentos específicos, a ser aplicada no dia 7 de novembro, no Salão do Júri do Fórum de Delmiro Gouveia.

Podem participar estudantes que estejam entre o 5º e o 8º período do curso de Direito. As convocações ocorrerão ao longo do prazo de validade da seleção, que é de um ano. O estágio será presencial, com carga horária de 30 horas semanais. A bolsa de complementação educacional corresponde a um salário mínimo, acrescido de auxílio-transporte.

Em audiência pública, Defensoria reforça necessidade de fiscalização municipal e transparência na aplicação de recursos da mineração em Craíbas

A Defensoria Pública do Estado de Alagoas (DPE/AL) participou, nesta semana, da segunda audiência pública promovida pela Câmara Municipal de Craíbas para discutir os impactos da mineração no município. A instituição foi representada pela defensora pública Brígida Barbosa, que destacou a importância da atuação do poder público local na fiscalização das atividades de mineração e na garantia de transparência no uso dos recursos provenientes da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM).

Durante a audiência, que contou com a presença do procurador-geral e do secretário do Meio Ambiente do município, vereadores, lideranças comunitárias, representantes da Defensoria Pública da União (DPU) e funcionários da Mineradora Vale Verde (MVV), foram debatidos os efeitos sociais e ambientais da exploração mineral na região. Também foi apresentado um resumo de pesquisa da Universidade Estadual de Alagoas (UNEAL) sobre a atividade sísmica no agreste alagoano.

A defensora pública destacou que, embora a MVV afirme seguir todas as regulamentações ambientais, o próprio Estudo de Impacto Ambiental (EIA-RIMA) da empresa apresenta contradições. “Se o próprio relatório da mineradora aponta crescimento econômico e geração de renda a partir da exploração mineral, sendo esta a única atividade industrial local, como explicar, então, os impactos vividos pela população, como poeira, alergias, barulho de implosões, caminhões e maquinário circulando dia e noite?”, questionou Brígida Barbosa.

A defensora também contestou a posição do Município de Craíbas, que negou ter atribuições para intervir na mineração e atribuiu responsabilidades ao Estado, ao Instituto do Meio Ambiente (IMA) e à União. “Em matéria ambiental, a omissão de um ente federativo autoriza outro a fiscalizar e autuar. O Supremo Tribunal Federal tem entendimento consolidado nesse sentido, o que torna o Município igualmente responsável por agir”, reforçou.

Brígida pontuou que a DPE/AL seguirá acompanhando a situação e, se necessário, ajuizando novas ações coletivas para garantir o cumprimento da legislação ambiental e a efetividade das medidas de reparação.

Em setembro, a Justiça acolheu ação civil pública da Defensoria e determinou que o Município de Craíbas apresentasse a prestação de contas detalhada sobre o uso dos recursos da CFEM recebidos nos últimos cinco anos. A Prefeitura deve ainda informar as medidas já adotadas para reduzir os danos à população, como reparos em residências, monitoramento ambiental e ações de saúde pública. De acordo com a Agência Nacional de Mineração (ANM), Craíbas recebeu cerca de R$ 25 milhões em compensações financeiras até novembro de 2024.