"Respeita meu job": Ministérios Públicos e Defensoria atuam para levar dignidade e cidadania a profissionais do sexo

A vida de uma profissional do sexo no Brasil é marcada por desafios diários que vão além do exercício da atividade. O preconceito, a violência e o estigma social colocam essas mulheres em uma posição de constante vulnerabilidade. Muitas enfrentam agressões físicas e sexuais, discriminação nos serviços públicos e exclusão social — tudo isso apenas por exercerem uma profissão que, apesar de legal, segue marginalizada. Mas, os Ministérios Públicos do Estado de Alagoas (MPAL), Federal (MPF) e do Trabalho (MPT) e a Defensoria Pública de Alagoas (DPE) têm atuado para levar mais dignidade a essas mulheres, de modo a despertar em cada uma delas a esperança de visibilidade e mudança de vida.

Embora o trabalho sexual em si não seja crime no país, uma vez que ele está inserido dentro da Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), a falta de regulamentação deixa essas mulheres à mercê de abusos e sem garantias básicas. Boa parte delas, inclusive, foi vítima de exploração sexual ainda na adolescência. “Somos vistas como descartáveis, não como cidadãs com direitos, sem falar nos mais diversos tipos de violência que sofremos. Eu, por exemplo, já fui estuprada e espancada por clientes que não quiseram pagar pelo serviço. Até de um carro em movimento eu já pulei porque estava sob risco de morte. As marcas estão não somente no meu corpo, mas na minha alma”, relata Cristina Garcia dos Santos, a China, de 45 anos, que exerce a profissão há 30 anos, numa conhecida praça no Centro de Maceió.

“Como a gente precisa do dinheiro, acaba aceitando qualquer valor. Até por R$ 50 nós fazemos um programa. E foi com a renda desse trabalho que eu criei os meus quatro filhos. E todos eles sabem que sou profissional do sexo, mas não me condenam. Eles estudam e estão tendo a oportunidade de ter um futuro diferente do meu”, acrescentou ela.

Graça Oliveira, hoje com 67 anos, há mais de quatro décadas vive na prostituição: “Eu também fui estuprada, pegaram-me a pulso, e não tive como me defender. Quase toda a sociedade critica o nosso trabalho, mas, é preciso ter coragem para ser trabalhadora sexual”, desabafou.

A atuação conjunta dos órgãos

Em meio a esse cenário, o Ministério Público do Estado de Alagoas, os MPs Federal e do Trabalho e a Defensoria Pública estão atuando para mudar essa realidade por meio de uma série de ações voltadas à garantia dos direitos das profissionais do sexo, buscando assegurar dignidade, proteção e cidadania. São iniciativas que incluem escutas qualificadas – o que ocorreu recentemente por meio de uma audiência pública, acompanhamento da turma escolar criada pela Prefeitura de Maceió, atuação contra a violência, e campanhas de conscientização para enfrentar o preconceito.

“Os Ministérios Públicos e a DPE estão comprometidos com a defesa dos direitos humanos. As profissionais do sexo têm direito a respeito, segurança e acesso às políticas públicas como quaisquer outras cidadãs”, afirma Alexandra Beurlen, que atua à frente da Promotoria de Justiça de Defesa dos Direitos Humanos.

“Por exemplo, o MP de Alagoas, ao lado dos Ministérios Públicos do Trabalho e Federal e da Defensoria Pública, tem acompanhado a turma da diversidade que está sendo alfabetizada, garantindo o acesso à alimentação e ao transporte escolar, e monitorando a própria existência da turma, que estava esvaziada pela falta de acesso a essa alimentação. Também promovemos uma audiência pública para ouvi-las e para conscientizá-las sobre os papéis das instituições. Nós ainda participamos do ‘Mutirão Pop Rua’, que incluiu as profissionais do sexo para que elas tivessem acesso a vários serviços, como emissão de documentos e orientações sobre como requisitarem aposentadoria. Por fim, estamos fomentando o fortalecimento dessas trabalhadoras para que consigam formam um movimento/associação, de modo que possam fazer demandas coletivas e com mais voz política”, detalhou a promotora.

Com atuação junto às profissionais do sexo e também em defesa dos direitos da população LGBTQIAPN+, Isaac Vinícius Costa Souto, defensor público responsável por essas pautas, reforça o compromisso da instituição com a dignidade, os direitos humanos e o acesso à justiça dessas mulheres. “As profissionais do sexo são cidadãs e precisam ser tratadas com o respeito e a dignidade que são inerentes a todo ser humano. Reconhecer o trabalho dessas mulheres é afirmar sua autonomia, o direito de existir sem medo e o acesso integral às políticas públicas. A Defensoria Pública de Alagoas está comprometida em garantir visibilidade, escuta qualificada e a efetivação de direitos, enfrentando as múltiplas vulnerabilidades que atravessam a vida dessas trabalhadoras. Nosso papel é lutar para que nenhuma pessoa seja silenciada, invisibilizada ou marginalizada por causa da sua profissão ou identidade. A justiça precisa alcançar a todos, todas e todes, sem exceção”, defende.

O procurador da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão (PRDC), Bruno Lamenha, destaca a importância de dar visibilidade e legitimar o trabalho dessas profissionais. “Além de atuarmos por melhores condições de vida e garantias profissionais, é preciso combater o preconceito e exigir respeito a essas mulheres e homens, cis e trans, estejam nas ruas ou não”, garante ele.

A procuradora do MPT Cláudia Soares destaca a importância do associativismo para fortalecer direitos dos profisisonais do sexo, combater a violência de gênero e a exploração sexual e ampliar a cidadania. “É importante olhar sobre os direitos previdenciários, o reconhecimento formal desse trabalho pela Classificação Brasileira de Ocupações e, a partir daí, essa luta associativa por melhores condições de trabalho, de vida, de cidadania”, declarou ela.

2 de Junho – Dia Nacional da Profissional do Sexo

O Dia Nacional da Profissional do Sexo, celebrado neste 2 de junho, é uma data de reconhecimento e luta. Criada para dar visibilidade a uma categoria historicamente marginalizada, a data reforça a importância de combater o preconceito, a discriminação e a invisibilidade social enfrentada por essas trabalhadoras.

Reconhecer o trabalho sexual como uma atividade profissional é um passo importante na luta por melhores condições de trabalho, acesso à saúde, segurança e cidadania plena. Respeitar quem exerce essa profissão é respeitar a liberdade de escolha, a autonomia dos corpos e os direitos humanos. “É tempo de romper o silêncio, de enxergar além dos estigmas. Porque toda profissão que carrega um corpo e sustenta uma história merece ser ouvida, acolhida e valorizada. Sabemos que ainda há um longo caminho pela frente, mas a mobilização de instituições como os Ministérios Públicos e a Defensoria representa um passo importante na construção de uma sociedade mais justa, onde nenhuma mulher seja invisível ou tratada com menos dignidade por conta da sua atividade profissional”, destaca Alexandra Beurlen, da Promotoria de Justiça de Defesa dos Direitos Humanos.

E em alusão a este 2 de junho, os MPs e a DPE produziram uma série de conteúdos digitais intitulados “Respeita meu job”, onde profissionais do sexo falam das suas experiências ao longo de décadas de profissão e as instituições públicas detalham todo o trabalho que vem sendo desenvolvido em benefício dessas mulheres.

AVISO DE NOVA DATA DE LICITAÇÃO - Pregão Eletrônico n° 90011/2025

DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DE ALAGOAS
AVISO DE NOVA DATA DE LICITAÇÃO

 

A DPE/AL (UASG: 457697) torna pública a realização da NOVA DATA da seguinte licitação:
Pregão Eletrônico n° 90011/2025 - Objeto: Registro de preços para futura e
27 de junho de 2025 às 08:00 horas.
O edital pode ser retirado gratuitamente no sítio
https://www.gov.br/compras/pt-br, maiores informações através do e-mail
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Maceió/AL, 30 de maio de 2025.
MELIANA MOREIRA MARTIN

Pregoeira

Defensoria Pública visita Casa do Idoso em União dos Palmares

 

A Defensoria Pública do Estado de Alagoas (DPE/AL) realizou, nesta semana, uma visita institucional à Casa do Idoso Santo Antônio, em União dos Palmares. A iniciativa foi conduzida pelo defensor público Aloísio Moro Sarmento com o objetivo de avaliar as condições de funcionamento da instituição e assegurar os direitos das pessoas idosas acolhidas.

 

Durante a inspeção, foram observados aspectos como estrutura física, acessibilidade, cuidados com a saúde e a nutrição, além da gestão e das atividades oferecidas aos residentes. Embora não tenham sido identificadas irregularidades estruturais, a equipe da Defensoria constatou um déficit financeiro, o que tem demandado ajustes na prestação dos serviços.

 

Fundada em 1954, a Casa do Idoso Santo Antônio atende toda a região da Zona da Mata alagoana e acolhe, atualmente, 51 idosos — 31 homens e 20 mulheres — com capacidade total para 53 pessoas.

 

O defensor público destacou o empenho da equipe e da gestão da instituição, mas recomendou o envio de documentos necessários para o ajuizamento de ações de curatela voltadas a idosos em situação de abandono familiar. Também sugeriu maior articulação com as Prefeituras da região para ampliar o apoio financeiro à unidade.

 

“Ações como essa reafirmam o compromisso da Defensoria com a proteção da população idosa e a garantia de sua dignidade. Vamos seguir atuando em articulação com as instituições responsáveis para fortalecer o atendimento dos idosos que precisam desse serviço na região”, afirmou Aloísio Moro Sarmento.

 

Expresso da Cidadania leva atendimento da Defensoria Pública a Mar Vermelho e Chã Preta na próxima semana

 

A população dos municípios de Mar Vermelho e Chã Preta receberá, na próxima semana, os serviços itinerantes da Defensoria Pública do Estado de Alagoas (DPE/AL), por meio do programa Expresso da Cidadania. A iniciativa oferece orientação e atendimento jurídico gratuito à população em situação de vulnerabilidade.

 

Em Mar Vermelho, o atendimento acontece na terça e quarta-feira, dias 3 e 4 de junho, em frente à Academia de Saúde Municipal, na Praça Cristo Redentor. Já em Chã Preta, a equipe estará presente na quinta e sexta-feira, dias 5 e 6 de junho, em frente à Prefeitura Municipal, na Rua Dr. Chico Teixeira, no Centro da cidade. A ação é realizada das 8h às 13h.

 

Durante a ação, os moradores poderão consultar o andamento de processos judiciais, solicitar ofícios para emissão de segunda via de certidões de nascimento ou casamento e passar por triagem para ingresso de ações como divórcio, pensão alimentícia, investigação de paternidade, retificação de registro, alvarás (até quatro salários mínimos), ações de saúde e direito do consumidor, entre outras.

 

Para ser atendido, é necessário apresentar cópias dos documentos pessoais (RG e CPF), comprovante de residência (conta de água ou luz), certidão de nascimento ou casamento (nos casos de pensão ou divórcio), além do nome e endereço de possíveis testemunhas.

 

A lista completa de documentos exigidos para cada tipo de ação pode ser consultada no site www.defensoria.al.def.br, no campo “Documentos Necessários”. Mais informações podem ser obtidas gratuitamente pelo Disque Defensoria: 129.

Defensoria Pública reúne empreendedores afetados pela Braskem em audiência pública

A Defensoria Pública do Estado de Alagoas (DPE/AL), por meio do Núcleo de Proteção Coletiva, realizou na última quinta-feira (29) uma audiência pública com empreendedores impactados pela mineração da Braskem em Maceió. O encontro aconteceu no Campus I do Centro Universitário Cesmac, no bairro do Farol.

 

Conduzida pelo defensor público Ricardo Antunes Melro, a audiência contou com a parceria da Associação dos Empreendedores e Vítimas da Mineração em Maceió e do Cesmac. O objetivo foi dar voz aos comerciantes afetados — empresários, microempreendedores, ambulantes, trabalhadores informais e pequenos prestadores de serviço — que tiveram suas vidas e negócios profundamente prejudicados pela atividade mineradora. Estiveram presentes representantes de diversas áreas: do Bom Parto ao Flexal, tanto os incluídos no mapa oficial de desocupação quanto os que vivem na “borda invisibilizada”, igualmente impactados, mas muitas vezes esquecidos.

 

Os relatos expuseram um cenário de abandono: dificuldades financeiras, problemas de saúde mental e a sensação de desamparo por parte da mineradora e do poder público.

 

“Resido na Vila Saem há 40 anos. Tenho uma padaria e venho enfrentando muitas dificuldades. Fui muito afetado pela mineração da Braskem, principalmente na saúde. Meu movimento acabou. Antes, entre a Vila Saem e o Farol, havia 11 padarias; hoje, só resta a minha. Abro às cinco da manhã e fecho às nove da noite, mas não aparece ninguém, está tudo abandonado”, desabafou o comerciante José Alberto de Oliveira.

 

Para o defensor público Ricardo Melro, os depoimentos demonstram a gravidade da situação e a falta de reparação efetiva. “Se eu pudesse resumir todas as falas de hoje em uma palavra, seria: PERVERSIDADE. As pessoas estão passando necessidade, sem conseguir pagar as contas, sem conseguir dormir, adoecendo. É isso que estamos vendo”, afirmou.

 

Melro também destacou a situação dos empreendedores localizados fora da área de desocupação oficial, mas que continuam sofrendo os impactos econômicos e sociais da tragédia. “Imagine um pequeno negócio tentando sobreviver sem os cerca de 60 mil consumidores que foram obrigados a sair. É perverso”, lamentou.

 

A Defensoria Pública está reunindo os relatos, documentos e dados contábeis apresentados pelos empreendedores para embasar novas ações judiciais. “A Justiça precisa agir com firmeza para garantir o que determina a Constituição: a reparação integral. E é isso que vamos levar novamente às barras da Justiça. Precisamos do Poder Judiciário”, reforçou o defensor.

 

Empreendedores que desejam contribuir com informações e documentos sobre os prejuízos causados pela mineração podem enviar os materiais para o e-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.. Também é possível buscar orientações e informações diretamente no Núcleo de Proteção Coletiva da Defensoria Pública, localizado na Rua Rita de Cássia, Gruta de Lourdes (esquina com a Algas), de segunda a sexta-feira, das 8h às 14h.