Defensoria garante direito ao registro civil a homem que viveu décadas sem documentação em Alagoas

 

Após mais de cinco décadas sem qualquer documentação, um morador de Jacuípe teve o direito ao registro civil garantido através da atuação da Defensoria Pública do Estado de Alagoas (DPE/AL). O caso foi identificado durante uma ação do Expresso da Cidadania, realizada em julho, e resultou em decisão judicial que determinou a lavratura tardia da certidão de nascimento.

Conforme o defensor público Marcos Antônio Silva Freire, o cidadão José Paes de Alcântara da Silva procurou a Defensoria acreditando precisar apenas de um documento de identidade, porém, ao contar sua história, ficou claro que nunca havia sido registrado. 

Nascido no interior de Pernambuco, em uma família de agricultores, ele enfrentou desde cedo diversas dificuldades de acesso a direitos básicos. Ainda criança, deixou a casa dos pais para trabalhar como boia-fria nas usinas de cana-de-açúcar em Alagoas. Sem qualquer identificação civil, percorreu diferentes cidades, perdeu o contato com os familiares e passou toda a vida adulta sem acesso ao trabalho formal, benefícios assistenciais e serviços públicos.

Diante da gravidade da situação, a Defensoria Pública ingressou com a ação judicial em agosto de 2025. Foram realizadas buscas em cartórios, consultas a sistemas oficiais e a localização de registros civis de irmãos, o que permitiu comprovar as informações necessárias para a expedição do documento. 

Ao analisar o caso, a Justiça reconheceu o pedido e determinou a lavratura do registro de nascimento, com base em provas documentais como certidão de batismo e registros familiares. A decisão destacou que o acesso ao registro civil é um direito fundamental e condição essencial para o exercício da cidadania e da dignidade da pessoa humana.

“A atuação também possibilitou o reencontro com familiares que acreditavam que o parente, ausente por décadas, já estivesse morto. Não é um resumo da obra " Morte e Vida Severina", de João Cabral de Melo Neto", muito menos mais um processo jurídico, é o trabalho da Defensoria que conseguiu o resgate de vínculos afetivos e da própria existência civil do cidadão”, aponta o defensor público.

Murici: Defensoria Pública abre seleção para estágio em Direito

A Defensoria Pública do Estado de Alagoas (DPE/AL) abriu inscrições para a seleção de estágio em Direito no município de Murici. Os interessados podem se inscrever até o dia 4 de janeiro, por meio da plataforma concursos.defensoria.al.def.br.

A seleção será realizada por meio da análise do histórico acadêmico. Poderão ser convocados, durante o prazo de validade da seleção, que é de um ano, estudantes do 5º ao 8º período do curso de Direito.

O estágio é presencial, com carga horária de 30 horas semanais, das 8h às 14h. A bolsa de complementação educacional corresponde a um salário mínimo, acrescido de auxílio-transporte.

Aviso de Reabertura de Licitação - regão Eletrônico n° 90040/2025 - Informática

DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DE ALAGOAS

AVISO DE REABERTURA DE SESSÃO



A Comissão Permanente de Licitações da Defensoria Pública do Estado de Alagoas, por intermédio de sua Pregoeira, torna pública a convocação de todos os licitantes participantes para a reabertura de sessão na plataforma do Compras.gov, do Pregão Eletrônico n° 90040/2025 (Processo Administrativo nº E:12070.0000001967/2025), que tem como objeto o Registro de preços para eventual e futura aquisição de suprimentos de informática, no dia 19 de dezembro de 2025 às 09:30h. Outras informações podem ser obtidas através do email Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

 

Maceió, 17 de dezembro de 2025.

MELIANA MOREIRA MARTIN

Pregoeira/ Agente de Contratação

 

Defensoria Pública recomenda ações para reduzir acidentes de trânsito em Arapiraca

A iniciativa integra programa da Defensoria que trata o trânsito como questão de saúde pública. As medidas cobradas incluem reforço da fiscalização e ações educativas

A Defensoria Pública do Estado de Alagoas (DPE/AL), por meio da Seção de Saúde, Fazenda Pública e Tutela Coletiva em Arapiraca, recomendou aos principais órgãos de trânsito em atuação na região que adotem medidas de reforço para reduzir os acidentes no município, especialmente em razão da aproximação das festas de fim de ano. A iniciativa busca proteger a população e diminuir a sobrecarga enfrentada pelos hospitais, principalmente o Hospital de Emergência do Agreste (HEA).

A recomendação faz parte do programa permanente de atuação institucional coordenado pela defensora pública Bruna Cavalcante, intitulado “Paz no trânsito também é questão de saúde pública”. No primeiro semestre deste ano, a instituição realizou uma audiência pública com representantes dos órgãos de trânsito, ocasião em que houve compromisso para adoção de medidas voltadas à redução dos índices de acidentes. Porém, segundo a defensora, dados enviados pelo HEA mostram que, no segundo semestre de 2025, o número de vítimas de sinistros permanece elevado, sem redução significativa em relação ao mesmo período do ano anterior.

A maioria das ocorrências envolve motociclistas, grupo mais vulnerável a lesões graves e fatais, seja pelo uso inadequado de equipamentos de segurança, ou pelo descumprimento das normas de circulação.

A recomendação foi enviada à Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito de Arapiraca (SMTT), ao Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran), ao Departamento Estadual de Trânsito (Detran/AL) e ao Batalhão de Policiamento Rodoviário (BPRv). Os órgãos devem atuar de forma conjunta ou individual, dentro de suas competências.

No documento, a Defensoria solicita reforço na fiscalização, com foco no uso correto do capacete, transporte irregular de passageiros, condução por pessoas não habilitadas, excesso de velocidade e direção sob efeito de álcool. Também recomenda maior presença de agentes em dias e horários de maior risco.

A instituição orienta que os órgãos mantenham campanhas permanentes de educação para o trânsito e, em 2026, ampliem ações em escolas, áreas comerciais, regiões periféricas e polos de motofretistas. Campanhas específicas para motociclistas também foram destacadas, com apoio da própria Defensoria.

Os órgãos têm 10 dias para informar à Defensoria quais medidas pretendem adotar em resposta à recomendação. Depois disso, devem utilizar os dados já disponíveis para identificar pontos críticos e ajustar o planejamento das operações. Em até 30 dias, precisam enviar um relatório com as ações já executadas, incluindo o calendário das operações previstas para este mês e aquelas previstas para o primeiro trimestre de 2026.

Defensoria Pública garante indenização a mãe que teve bebê trocado em maternidade de Arapiraca

O caso ganhou repercussão nacional no último ano, após as famílias descobrirem a troca de seus filhos mais de dois anos após nascimentos.


A Defensoria Pública do Estado de Alagoas (DPE/AL) garantiu, na Justiça, indenização por danos morais a uma mãe que descobriu, após mais de dois anos, que seu filho havia sido trocado na maternidade do Hospital Regional Nossa Senhora do Bom Conselho, em Arapiraca. O caso ganhou repercussão nacional em 2024, quando as famílias identificaram a troca.

A sentença reconheceu falhas graves da unidade de saúde e determinou o pagamento de R$ 100 mil por danos morais, além de juros e correção monetária desde a data da descoberta da troca dos bebês até a publicação da decisão.

A mãe deu à luz em fevereiro de 2022, período ainda marcado por restrições da pandemia da Covid-19. Com o bebê prematuro internado na UTI Neonatal, ela precisou confiar integralmente nos protocolos de segurança da maternidade, já que não podia acompanhar de perto os cuidados prestados ao recém-nascido. Após algumas semanas, a criança recebeu alta e foi entregue à mãe.

Dois anos depois, outra mãe que havia dado à luz gêmeos no mesmo hospital e no mesmo período procurou a assistida após notar semelhanças físicas entre um dos gêmeos e o filho da cidadã, levantando a suspeita que envolvia as duas famílias. A troca foi confirmada pouco depois, por exame de DNA.

Na ação, o defensor público André Chalub Lima demonstrou que a troca ocorreu enquanto os recém-nascidos estavam sob responsabilidade exclusiva do hospital, que descumpriu protocolos básicos de identificação e não apresentou registros biométricos ou fotográficos capazes de garantir a segurança do procedimento.

Para o defensor, a sentença reforça que os serviços de saúde têm o dever de assegurar condições mínimas de segurança para parturientes e recém-nascidos.

“Esse erro grotesco, inteiramente imputável ao Hospital Regional de Arapiraca, não apenas violou os direitos fundamentais da família da requerente, mas também impôs a todos um fardo emocional incomensurável. O hospital falhou gravemente ao não adotar medidas básicas de segurança, como a identificação correta dos recém-nascidos. Essa falha levou à troca dos bebês, rompendo vínculos familiares e causando grande sofrimento. Para a Defensoria Pública, que acompanha a assistida desde a descoberta do erro, o caso evidencia a importância de garantir que cada cidadã tenha seus direitos respeitados e acesso a apoio jurídico integral”, destaca o defensor.