Defensoria Pública busca redução das tarifas de água e esgoto da Águas do Sertão e da Verde Alagoas

Valores tarifários foram reajustados em dezembro de 2025, após Resoluções da Arsal baseadas em processos administrativos sem a devida publicidade e sem considerar parecer contrário do verificador independente

 

A Defensoria Pública do Estado de Alagoas (DPE/AL) busca assegurar a redução das tarifas de água e esgoto em mais de 65 municípios alagoanos. Por meio do Núcleo de Proteção Coletiva, a instituição ingressou com ações civis públicas para revisar o reajuste aplicado pelas concessionárias Águas do Sertão e Verde Alagoas.

De acordo com o coordenador do Núcleo de Proteção Coletiva, o defensor público Othoniel Pinheiro, o aumento das tarifas violou normas legais e constitucionais, uma vez que foi aprovado pela Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de Alagoas (Arsal) sem considerar as análises do verificador independente, a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), de São Paulo. A entidade emitiu parecer contrário aos pedidos de reajuste das duas concessionárias em duas ocasiões, antes e depois da publicação no Diário Oficial do Estado.

“Um dos graves problemas constatados nos processos administrativos de reajuste da Águas do Sertão e da Verde Alagoas foi que a Arsal desconsiderou as análises técnicas e científicas da Fipe. Embora não sejam vinculantes, sua eventual rejeição exige fundamentação técnica adequada, o que não ocorreu. Foi como se a Fipe não integrasse o processo administrativo. Por isso, inclusive, a instituição encaminhou nova manifestação à Arsal mesmo após a publicação do reajuste”, destacou o defensor.

Segundo Pinheiro, outro ponto crítico foi a falta de transparência no processo administrativo, que não pôde ser acompanhado pela população. Isso porque o sistema da Arsal não permite acesso externo, o que viola os princípios da publicidade e da transparência. “A situação contraria, inclusive, o item 27.4 dos contratos de concessão, que prevê que o reajuste tarifário deve ocorrer por meio de processo administrativo público, amplamente divulgado e com apoio do verificador independente”, pontua.

Na última semana, a Defensoria Pública obteve decisão favorável que resultou na redução das tarifas em 13 municípios da Região Metropolitana de Maceió. A medida foi concedida em ação civil pública e determinou a suspensão da Resolução nº 230/2025 da Arsal.

As novas ações foram assinadas pelos defensores públicos de Othoniel Pinheiro, Manoel Correia, Lívia Risso, Carina Soares, Adaunir Fiel, Amanda Mineiro e Thiago Garcia.  Além de buscar a anulação do aumento aplicado em dezembro de 2025, a Defensoria Pública também pretende investigar reajustes anteriores, a fim de identificar possíveis irregularidades. A iniciativa não impede que consumidores ou empresas ingressem individualmente na Justiça para questionar os aumentos e buscar a suspensão dos reajustes considerados ilegais.

Defensoria Pública e órgãos da Justiça alagoana assinam portaria conjunta para fortalecer políticas voltadas à população em situação de rua

A Defensoria Pública do Estado de Alagoas (DPE/AL) assinou, nesta segunda-feira (23), uma Portaria Conjunta com órgãos do Sistema de Justiça para ampliar e fortalecer a promoção de políticas públicas destinadas às pessoas em situação de rua. O documento reformula o Comitê Pop Rua/Jus, alinhando sua atuação às diretrizes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e reforçando o trabalho interinstitucional no atendimento à população em maior vulnerabilidade.

A assinatura foi realizada pela subdefensora pública-geral, Thaís Moreira, e os representantes de diversas instituições, como o Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL), Tribunal Regional do Trabalho da 19ª Região (TRT19), Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5), Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE/AL), Ministérios Públicos Estadual, Federal e do Trabalho, além da Defensoria Pública da União, Ordem dos Advogados do Brasil em Alagoas (OAB/AL) e entidades da sociedade civil.

Com a nova portaria, a coordenação do Comitê Pop Rua/Jus passa a ser exercida em sistema de rodízio entre os participantes, enquanto os integrantes seguem sendo indicados pelas instituições que compõem o grupo. O documento também estabelece que o comitê deve contar com representantes de diferentes áreas, incluindo magistrados, membros do sistema de justiça, profissionais da assistência social e da saúde, além de integrantes de movimentos sociais, academia e organizações que atuam na defesa dos direitos da população em situação de rua.

O comitê deve se reunir a cada trimestre e promover a equidade de gênero e da representatividade racial e social, considerando aspectos como raça, etnia, deficiência, orientação sexual e diversidade regional, conforme as diretrizes do CNJ.

 

 

Defensoria Pública inicia projeto “Bate-Papo no Socioeducativo” em Maceió

A Defensoria Pública do Estado de Alagoas (DPE/AL) deu início, nesta semana, ao projeto piloto “Bate-Papo no Socioeducativo”, em Maceió. A iniciativa é conduzida pelo defensor público Fábio Passos, em parceria com a psicóloga Laís Ferreira, da Superintendência de Medidas Socioeducativas da Secretaria de Estado de Prevenção à Violência (Seprev).

O projeto tem como objetivo promover um diálogo qualificado com adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas, abordando o funcionamento das audiências concentradas, implementadas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e pelo Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL). 

A iniciativa também busca apresentar, de forma acessível, as diferenças entre o sistema socioeducativo e o sistema prisional. Durante os encontros, são destacados o caráter pedagógico, a proteção integral e a garantia de direitos que orientam o atendimento socioeducativo, em contraste com as limitações estruturais do sistema penal comum.

Conforme o defensor público, a proposta é esclarecer o papel das audiências concentradas como instrumento de integração periódica entre os diversos atores do sistema socioeducativo, incluindo Judiciário, Ministério Público, Defensoria Pública, advocacia, serviços socioeducativos e socioassistenciais, além dos próprios adolescentes e seus familiares.

Após ação da Defensoria, Justiça determina medidas de controle sobre mineração em Craíbas

 

A Defensoria Pública do Estado de Alagoas (DPE/AL) obteve decisão liminar favorável em ação civil pública sobre os impactos da mineração da empresa Vale Verde (MVV), em Craíbas. A Justiça determinou que os municípios de Craíbas e Arapiraca criem canais de comunicação para que moradores possam registrar denúncias e ocorrências ligadas à atividade minerária.

A decisão, proferida no dia 18 deste mês, também determina que os municípios apresentem, em até 45 dias, relatório conjunto das ações da Defesa Civil relacionadas aos tremores registrados, incluindo informações sobre os recursos da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) e sua destinação. O Estado de Alagoas deverá informar, em 30 dias, se possui capacidade técnica para a realização de perícias ambientais e geológicas independentes.

Segundo a defensora pública Brígida Barbosa, do Núcleo de Proteção Coletiva da DPE/AL em Arapiraca, a decisão acolhe a narrativa de danos ambientais e sociais relacionados à mineração, como o aumento de tremores de terra, danos em imóveis, proximidade da exploração com áreas habitadas e possíveis falhas no licenciamento ambiental. Também confirma a insuficiência no monitoramento, feito atualmente pela própria empresa.

A decisão também determina que a mineradora apresente, em até 30 dias, um plano de monitoramento sísmico independente, com definição de limites para uso de explosivos, instalação de equipamentos nas comunidades afetadas e previsão de suspensão das detonações em caso de risco. Em até 60 dias, a empresa deverá apresentar relatório técnico detalhado sobre o histórico das detonações, com dados de carga explosiva, frequência, horários e possíveis impactos.

O Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA/AL) não poderá renovar licenças sem nova vistoria técnica independente. O órgão também deverá encaminhar à Justiça, em até 30 dias, todo o processo de licenciamento ambiental da mineradora, incluindo autos de infração e relatórios técnicos, além de realizar, no prazo de 60 dias, inspeções nas comunidades afetadas para verificar o cumprimento das condicionantes ambientais.

Defensoria Pública participa de sessão solene na ALE em celebração aos 10 anos do Marco Legal da Primeira Infância

A Defensoria Pública do Estado de Alagoas (DPE/AL) participou, nesta sexta-feira (20), de sessão especial realizada na Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE) em alusão aos 10 anos do Marco Legal da Primeira Infância (Lei nº 13.257/2016). A norma estabelece diretrizes para a formulação de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento integral de crianças de zero a seis anos. A instituição foi representada pela subdefensora pública-geral, Thaís Moreira.

A solenidade foi conduzida pelo deputado estadual Ronaldo Medeiros e reuniu representantes do Executivo, do sistema de Justiça e da sociedade civil para discutir avanços e desafios na consolidação de políticas que priorizem a infância.

Durante o evento, Thaís Moreira destacou a importância de colocar a criança no centro das decisões públicas. "A Defensoria Pública, juntamente com outras instituições, com o Legislativo e com o Executivo, deve se unir para que essas políticas públicas realmente sejam efetivadas, colocando, de fato, a criança como prioridade, como ela deve ser”, destacou Thais Moreira.